Em tempos de guerra – Qual a relação da mesma com nossa sexualidade?

A guerra afeta nossa sexualidade?

Moradores de um país que está a milhares de quilômetros da guerra no Iraque, nossa primeira reação é achar que toda essa violência, porém tão longe, não nos afeta no dia-a-dia, seja em relação a atividades simples como trabalhar, comer, dormir, aproveitar as horas de lazer, até chegarmos a relacionamentos de amizade, sentimentais, sexuais.

Será?

Especificamente em relação ao sexo, uma vez que ele é a expressão mais profunda de amor ao próximo, podemos afirmar, com base em nossa atividade clínica, que todos nós somos afetados – uns mais, outros menos.

A plena sexualidade depende de um elevado grau de felicidade íntima de cada parceiro, e é sabido que não se pode ser plenamente feliz em meio a notícias de atrocidades, prepotência e arrogância imperial, dando conta de um massacre contra a população de um outro país, já que esta não pode ser considerada uma guerra (que pressupõe uma luta entre iguais), mas apenas o exercício da lei do mais forte, vale dizer a lei das selvas, sem o respaldo da comunidade internacional.

“Não posso ser feliz e, conseqüentemente, plenamente predisposto a dar meu amor ao próximo por vias sexuais de maneira intensa, pois meu organismo se recusa a atender minhas disposições a respeito”, disse-me um paciente paulistano, de 35 anos, que encarou pela primeira vez na vida problemas com ereção.

É um caso isolado? Absolutamente. Problemas de impotência vêem ganhando terreno em nosso país com a sucessão das crises e do aumento dos índices de desemprego, de achatamento salarial e de violência urbana, colaborando para a dissolução de casamentos e provocando ansiedade e estresse.

Realmente, sendo a relação sexual a mais intensa demonstração de amor ao próximo, ela só pode ser ampla, geral e irrestrita à medida em que estejamos cercados de paz, do sentimento de justiça e de religiosidade, seja qual for a forma com que esta se manifeste.

O tratamento clínico ajuda, mas não há medicação capaz de superar a nossa capacidade de indignação diante das injustiças cometidas em nome da tentativa de imposição de uma suposta libertação que, na verdade, esconde o desejo de dominação política e econômica de um império sobre uma pequena nação.

Paz! Somente na paz é possível florescer, com todo o seu poder, o amor de um ser humano por seus semelhantes.